Um único lugar para abastecer o mundo inteiro:
Praticamente todo o lápis-lazúli que existiu na história humana saiu de uma única região: o vale de Sar-i-Sang, na província de Badakhshan, no nordeste do Afeganistão. Essas minas são exploradas de forma contínua desde o Neolítico, há mais de 6.000 anos, e continuam activas hoje com métodos muito semelhantes aos da pré-história.
Existem depósitos menores no Chile (onde os Incas também o esculpiam), na Rússia e no Paquistão, mas o Afeganistão continua a ser a referência mundial.
A história do lápis-lazúli: o azul mais caro do mundo
Este mineral foi, literalmente, mais valioso do que o ouro durante séculos. Tudo graças ao pigmento.
Quando se mói o lápis-lazúli e se extrai a lazurita pura, obtém-se o azul-ultramarino — o pigmento azul mais brilhante e estável que a humanidade conheceu até ao século XIX. "Ultramarinus" em latim significa "de além-mar": chegava à Europa desde a Ásia percorrendo milhares de quilómetros por rotas perigosas.
Mas obtê-lo não era simples. Moer simplesmente a pedra produzia um pó cinzento decepcionante. Os artesãos medievais desenvolveram um processo que se assemelhava mais a fazer pão do que a trabalhar com pedras:
- Misturavam o pó com cera, resinas e óleos.
- Criavam uma massa que amassavam durante dias debaixo de água.
- As partículas de lazurita pura depositavam-se no fundo.
- As primeiras "lavagens" davam o azul de maior qualidade; as seguintes, tons mais apagados.