Minerais do Antigo Egito: a química por trás da maquilhagem, das múmias e dos templos
Kohl, natrão, lápis-lazúli, alabastro: os egípcios não escolhiam os seus minerais por superstição, mas sim porque conheciam com precisão as suas propriedades físicas e químicas. Uma viagem pela mineralogia real por trás dos mitos
Quando pensamos no Antigo Egito e nos minerais, imaginamos quase sempre o mesmo: o ouro da máscara de Tutankhamon, o azul intenso do lápis-lazúli, os olhos delineados a negro num fresco. São imagens reais, mas incompletas. Por trás de cada uma delas houve uma civilização que triturava, misturava, aquecia e combinava minerais com uma precisão que hoje reconheceríamos como química aplicada, e não como magia.
Não é por acaso que a própria palavra "química" tem, segundo uma das hipóteses etimológicas mais aceites, uma raiz em kemet, o nome que os egípcios davam à sua terra. O Egito não se limitou a usar minerais: processou-os e combinou-os com fins muito concretos. Esse é o fio condutor desta viagem.
Numa frase: Os egípcios usaram minerais como a galena, a malaquite, o natrão, o lápis-lazúli e o alabastro não por crença, mas pelas suas propriedades reais —cor, dureza, textura ou capacidade dessecante— envoltas, mais tarde, numa linguagem religiosa e simbólica.