Tecnologia: o mineral escondido no teu bolso
Nenhum exemplo ilustra melhor esta dupla vida do que o quartzo. Além de ser uma das gemas mais populares em joalheria, tem uma propriedade pouco conhecida fora da física: a piezoeletricidade, isto é, a capacidade de gerar uma pequena corrente elétrica quando lhe é aplicada pressão, e de vibrar numa frequência extremamente estável quando lhe é aplicada corrente. Essa propriedade é o que torna possível que um simples relógio de quartzo meça o tempo com uma precisão quase perfeita, e está na base de osciladores eletrónicos presentes em computadores, rádios e sistemas de comunicação.
O que é exatamente a piezoeletricidade? É a propriedade que alguns cristais têm de gerar eletricidade quando são apertados ou dobrados ligeiramente —e, ao contrário, de se mover ou vibrar quando lhes é aplicada eletricidade—. Num relógio de quartzo, uma pilha envia corrente a um diminuto cristal de quartzo, que vibra milhares de vezes por segundo com uma regularidade tão exata que funciona como "metrónomo" para marcar os segundos.
O lítio, já mencionado pelo seu uso médico, é hoje o elemento crítico das baterias recarregáveis que alimentam desde telemóveis até carros elétricos, o que o transformou num dos minerais mais estratégicos —e geopoliticamente disputados— do século XXI. O corindo, o mesmo mineral que na sua variedade gema dá origem ao rubi e à safira, é também fabricado de forma sintética (ou seja, criado em laboratório com a mesma composição química do mineral natural) para produzir cristais extremamente resistentes a riscos, usados em ecrãs de relógios e componentes óticos topo de gama.
A piezoeletricidade não é exclusiva do quartzo, mas é neste mineral que foi descoberta e onde melhor se aproveita industrialmente. Foi descrita pela primeira vez em 1880 pelos irmãos Pierre e Jacques Curie, dois jovens investigadores de 25 e 21 anos que trabalhavam como assistentes de laboratório em Paris, mais de um século antes de existir o primeiro relógio de quartzo comercial.