Mecanismo 1: elementos de terras raras que ocupam o lugar do cálcio
Durante a formação do cristal, alguns elementos de terras raras —ítrio, cério, samário, európio, entre outros— podem infiltrar-se na estrutura e ocupar o lugar que "deveria" ser ocupado por um átomo de cálcio. Estes elementos não são convidados neutros: por terem um tamanho e uma carga elétrica diferentes dos do cálcio, alteram ligeiramente a forma como o cristal absorve a luz, e essa alteração traduz-se em cor.
O que são "terras raras"? É o nome dado a um grupo de dezassete elementos químicos —entre eles o ítrio, o cério ou o samário— que, apesar do nome, não são especialmente escassos na crosta terrestre, mas que quase sempre surgem misturados entre si e em quantidades muito pequenas dentro de outros minerais. Na fluorite, atuam como "impurezas" que se infiltram na estrutura durante a sua formação.
Um estudo de referência sobre o tema, publicado na revista científica Physics and Chemistry of Minerals, estabeleceu que o ítrio combinado com defeitos da estrutura produz tons azuis, a combinação de ítrio e cério dá origem a verdes amarelados, e elementos como o samário estão por trás de boa parte dos verdes que vemos em peças mexicanas ou namibianas. A fluorescência intensa de algumas fluorites —aquele brilho azul sob luz ultravioleta— deve-se, em muitos casos, a vestígios de európio.