Jaspe mookaita: o australiano de cores impossíveis
Se o jaspe paisagem parece um quadro, o jaspe mookaita parece diretamente uma paleta de pintor. Esta variedade, originária da região de Mooka Creek, na Austrália Ocidental (daí o seu nome), combina numa mesma peça tons vermelhos, amarelos, roxos, creme e castanhos, formando frequentemente manchas e vetas que se misturam entre si de forma muito orgânica.
O que torna o jaspe mookaita especial do ponto de vista geológico é a sua origem: formou-se a partir de radiolaritos, ou seja, sedimentos compostos pelos restos microscópicos de radiolários (um tipo de microrganismo marinho com esqueleto de sílice) que se acumularam no fundo do mar há milhões de anos. Com o tempo, esses sedimentos silicificaram-se, e os diversos minerais presentes (óxidos de ferro em vários estados de oxidação, principalmente) foram pintando essa mistura de cores tão característica.
Por isso, quando tem na mão uma peça de jaspe mookaita, está na realidade a segurar os restos fossilizados e mineralizados de organismos marinhos microscópicos, tingidos por um autêntico mosaico de óxidos de ferro. Poucas pedras contam uma história tão literal sobre a sua própria origem.
Então, "jaspe" é sempre a mesma coisa?
Aqui está a parte que realmente ajuda a entender tudo isto. No mundo da mineralogia e da gemologia, o nome "jaspe" é usado de duas formas:
- Em sentido estrito: jaspe é uma variedade de calcedónia (quartzo microcristalino) opaca, com impurezas que lhe dão cor e padrão. Aqui entram o jaspe vermelho, sardo, paisagem e leopardo, entre muitos outros.
- Em sentido comercial ou popular: por vezes chama-se "jaspe" a pedras que, embora não sejam tecnicamente calcedónia, partilham um aspeto visual semelhante (opacas, com padrões de manchas ou bandas). O jaspe dálmata é um exemplo disto.
Não lhe dizemos isto para complicar, mas para que entenda por que razão por vezes verá pedras com nomes muito parecidos que, se escavar um pouco, têm origens geológicas diferentes. Na Cristalljoia tentamos sempre ser claros sobre a composição real de cada peça, mas também respeitamos os nomes pelos quais as pessoas conhecem e procuram estas pedras, porque no final são os que fazem sentido para quem está a escolher.